Comunicado a Imprensa
São Paulo, terça-feira, 22 de maio de 2007
Ontem, em reunião com a Reitora da Universidade de São Paulo, Suely Vilela, estiveram presentes cerca de 30 estudantes da Comissão de Negociação, além de dois representantes do SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP), o Senador Eduardo Suplicy, e membros da Reitoria. Nesta reunião, nos foi apresentada a mesma proposta colocada no dia 8 de maio e nos foi dado o prazo até a meia-noite de ontem para um posicionamento.
Em plenária realizada há pouco com a presença de cerca de 800 estudantes e funcionários foi deliberado que a proposta reiterada pela Reitora na reunião continua sendo insuficiente e que a Ocupação será mantida. Esclarecemos que haverá uma Assembléia Geral dos estudantes, hoje às 18h, em frente ao prédio da Reitoria.
Nessa noite, em contato com o professor Dalmo Dalari, nos foi informado que não existe planejamento de intervenção policial na Ocupação no dia 22 de maio, terça-feira. Informação esta advinda de contato direto entre ele e a assessoria do Governo. Este fato nos garante a realização dos fóruns deliberativos estudantis e dos trabalhadores no decorrer do dia de hoje.
Na mesma plenária foi colocado indicativo de interferência do CONDEPH (Conselho Estadual da Defesa da Pessoa Humana) e marcada uma reunião para esclarecimento com a Presidente do Conselho, Rose Nogueira, às 8h30
FECHAM AS PORTAS E ABREM OS CAMINHOS
terça-feira, 22 de maio de 2007
segunda-feira, 21 de maio de 2007
A Fibre 400 no divã
O texto abaixo foi enviado para vários alunos do IFCH via email por alguém que assina "Liberdade de Expressão" (cujo email de envio é liberdadeefibre@yahoo.com.br). Não sabemos quem é o autor, mas considerando a enorme criatividade e humor, resolvemos postar aqui...
Afinal, quem é que disse que um pouco de humor não politiza o debate??
Parabéns senhor(a) Liberdade de Expressão!!
A Fibre 400 no divã
Entrevista com a sra. Impressora Fibre 400 (IF400) sobre a situação da greve no IFCH/Unicamp, realizada por sra. Liberdade de Expressão (LE).
LE: Prezada Impressora, conte-nos um pouco sobre sua relação com o IFCH
IF400: Há alguns anos, a convite da direção do IFCH, e em acordo com a direção do CCUEC, passei a prestar serviços de impressão para este Instituto, alimentando assim pesquisas de elevado nível intelectual. No entanto, desde o final do ano passado, fui impedida de realizar esse serviço para o IFCH por conta do aperto financeiro deste Instituto. Isso me entristeceu um bocado pelo fato de eu deixar de ter acesso às reflexões mais sofisticadas da área de Humanidades, sem falar do caloroso contato que mantive durante todos esses anos com os/as alunos/as da pós-graduação [nesse momento, lágrimas brotaram dos olhos da impressora].
LE: Como a senhora reagiu a essa situação?
IF400: Conversei muito com os/as alunos/as da pós-graduação e eles me deram muito apoio, afeto, carinho de modo que pude me recuperar e continuar trabalhando para outros Institutos, embora nunca esquecendo do IFCH. Foi louvável a atitude de alunos e alunas de tentar assegurar minha prestação de serviço para o IFCH.
LE: Em que resultou essa louvável atitude dos alunos/as?
IF400: Infelizmente em nada. A direção apresentou um relatório que constata os escassos recursos financeiros do IFCH e reafirmou meu desligamento como prestadora de serviço. Uma pena.
LE: E a senhora continua prestando serviços para outros Institutos e Faculdades da Unicamp?
IF400: Sim, é meu ganha pão, né?! Continuo a trabalhar para os Institutos e Faculdades, que priorizam a pesquisa operacional, pois estes possuem atualmente os maiores recursos financeiros da universidade e podem, portanto, pagar por serviços de alta qualidade como os que eu realizo. Por favor, não me interpretem mal; tenho que sobreviver [uma certa indignação na voz foi notada].
LE: A senhora está a par da política educacional do Governo Serra?
IF400: Sim. Leio e imprimo os jornais e boletins da ADUNICAMP, do STU e da Reitoria todos os dias.
LE: Nesse sentido, qual a sua avaliação dos decretos do Governador Serra?
IF400: No começo eu não entendi nada do que estava acontecendo. Aos poucos fui me informando e hoje tenho uma posição um pouco mais razoável. Percebi que meu desligamento do IFCH tinha a ver com todo esse processo.
LE: Como assim?
IF400: Oras, o aperto financeiro do IFCH, a meu ver, tem relação direta com um processo de longo prazo de precarização da educação no país, que parece materializar de forma mais incisiva na atual gestão estadual. Por meio de uma leitura dos decretos, pude perceber que o governo vai centralizar ainda mais a distribuição de recursos financeiros para as universidades públicas paulistas, o que poderá fazer com que outros de meus companheiros também sejam desligados do IFCH.
LE: A senhora pode nos dar um exemplo?
IF400: Ah sim, sim. Claro! O pessoal que ocupa as prateleiras da biblioteca e as mesas do CPD, o pessoal do financeiro e por aí vai.
LE: O que a senhora acha das barricadas?
IF400: Embora eu não conheça o pessoal da graduação, a atitude deles é bastante importante na luta contra os decretos do Governador Serra, porque chama a atenção da Universidade para os problemas que ela enfrenta atualmente. Na verdade, acho que os estudantes só devem tirar as barricadas quando o Serra revogar os decretos. Penso que só assim poderei voltar à ativa no Instituto e encontrar antigos amigos [nesse momento, um leve suspiro de esperança aflorou]...
LE: Informamos que a entrevista não pôde ser finalizada com a sra. Impressora Fibre 400 por conta da falta de toner no CCUEC. Obrigado.
domingo, 20 de maio de 2007
PROGRAMAÇÃO DE AMANHÃ, SEGUNDA-FEIRA, DIA 21
Segue a programação de amanhã:
7:00 hrs - montagem das barricadas
8:00 hrs - reunião das comissões
12:00 hrs - ato no bandex
15:00 hrs - aula pública: debate sobre os movimentos sociais e reformas neoliberais (preparação para o dia 23)
17:00 hrs - cine-greve: vídeos sobre o movimento estudantil na França (contra CPE), na Grécia e no Chile
19:00 hrs - reunião do Comando de Greve
21:00 / 23:00 hrs - atividades culturais e breja!
É importante lembrar que o IFCH está em greve, mas não está parado. Participe da nossa programação!!
"CALA A BOCA!" ?????
QUALQUER SEMELHANÇA NÃO É MERA COINCIDÊNCIA

Combates pela história
Para pensar sobre os problemas que enfrentamos na mobilização de nosso instituto, faz-se necessário aqui retomar uma curta história sobre o posicionamento de alguns intelectuais sobre os problemas pelos quais passamos há décadas, mas que se mostram mais presentes do que nunca...
“Adorno, o filósofo que se debruçava tão insistentemente sobre as contradições, era ele próprio contraditório. Coerente com sua convicção de que a dimensão anti-ideológica do pensamento se expressava na denúncia das camuflagens criadoras de harmonias e na capacidade de fazer surgirem as contradições, o pensador não tinha nenhum motivo para recusar-se a reconhecer suas contradições internas.
As contradições, contudo, às vezes apareciam de maneira desconcertante, perturbadora, mesmo para a mente que em princípio se declarava aberta para reconhecê-las e aceitá-las. Uma contradição que esteve presente ao longo de praticamente toda a sua trajetória na maturidade como pensador foi a da relação entre a exigência de um constante aprofundamento da crítica na teoria e a insuperável dificuldade com se defrontava para promover esse aprofundamento no nível em que ele passava a ser decisivo: o da unidade da teoria com a prática. Para sermos mais precisos: o nível da ação política.
Para preservar a criticidade radical, era preciso simultaneamente engajar-se na ação coletiva (ninguém faz política sozinho) e preservar ferozmente a independência individual (ninguém pode abrir mão de sua personalidade e continuar a ser livre).
Quando não viam como segurar firmemente ambas as extremidades da corrente, Adorno e Horkheimer tendiam a abandonar a exigência da inserção no processo prático, porque a ação de quem está lutando junto aos outros é condicionada por movimentos coletivos que, para se concretizarem com alguma possibilidade de êxito, exigem concessões do indivíduo aos seus companheiros. Os dois filósofos temiam sujar-se eticamente; temiam reconhecer que ninguém faz política, ninguém consegue se inserir ativa e duradouramente no movimento coletivo real, sem alguma flexibilidade. Por isso, suas intervenções nas lutas políticas careciam de regularidade e eram esporádicas.
Herbert Marcuse, nesse ponto, contrastava com seu amigo Adorno. Embora concordasse com a imensa maioria das posições assumidas por Adorno no plano teórico, Marcuse tinha uma forte disposição a intervir nas ações práticas, nos movimentos políticos. A própria análise que Adorno fazia da gravíssima situação em que se encontrava a sociedade, nas condições do capitalismo tardio, era encarada por Marcuse como razão para engajar-se, com urgência, nos combates possíveis, nas lutas que estavam sendo travadas, sem esperar o aparecimento de um movimento que correspondesse plenamente às exigências filosóficas do pensador engajado.
(...) E em 1968 uma onda de protestos estudantis na Europa, nos Estados Unidos (e até no Brasil) criou uma situação na qual a divergência se explicitou.
Um grupo de estudantes rebeldes invadiu o prédio do Instituto de Pesquisa Social, na Universidade de Frankfurt/Main. Adorno, diretor da instituição, hostilizada pelos estudantes, chamou a polícia para removê-los. Marcuse, seu amigo há mais de 30 anos, mandou-lhe uma carta, divergindo da decisão. Adorno replicou cobrando do outro apoio ao seu esforço para preservar o velho Instituto em que haviam trabalhado juntos. Marcuse retrucou, dizendo que o Instituto não era mais o mesmo, pois vinha pecando por ‘abstinência política’ e não tomara posição contra ‘o imperialismo norte-americano’ na guerra do Vietnã. (...)
A polêmica epistolar está publicada no número 3 da Revista Praga, de São Paulo (1997). Adorno escreveu que a polícia tinha tratado os estudantes de um modo muito mais civilizado do que os estudantes o haviam tratado. Caracterizou o grupo como politicamente isolado e viu na atitude dos jovens algo de ‘fascista’, uma postura que poderia vir a destruir as instituições da democracia representativa.
Marcuse admitiu que havia comportamentos irresponsáveis e ações levianas no meio dos estudantes, porém negou que o movimento estudantil em geral corresse o risco de sofrer um processo de fascistização. Reafirmou seu ponto de vista segundo o qual o inconformismo dos estudantes era um elemento fundamental no questionamento do capitalismo e advertiu Teddy [Theodor Adorno] de que os danos acarretados às instituições da democracia representativa vinham muito mais das classes dominantes do que da rebeldia dos estudantes”.
(trecho extraído do livro A questão da ideologia de Leandro Konder, publicado pela Companhia das Letras, 2002. Páginas 88, 89, 92 e 93).
“Adorno, o filósofo que se debruçava tão insistentemente sobre as contradições, era ele próprio contraditório. Coerente com sua convicção de que a dimensão anti-ideológica do pensamento se expressava na denúncia das camuflagens criadoras de harmonias e na capacidade de fazer surgirem as contradições, o pensador não tinha nenhum motivo para recusar-se a reconhecer suas contradições internas.
As contradições, contudo, às vezes apareciam de maneira desconcertante, perturbadora, mesmo para a mente que em princípio se declarava aberta para reconhecê-las e aceitá-las. Uma contradição que esteve presente ao longo de praticamente toda a sua trajetória na maturidade como pensador foi a da relação entre a exigência de um constante aprofundamento da crítica na teoria e a insuperável dificuldade com se defrontava para promover esse aprofundamento no nível em que ele passava a ser decisivo: o da unidade da teoria com a prática. Para sermos mais precisos: o nível da ação política.
Para preservar a criticidade radical, era preciso simultaneamente engajar-se na ação coletiva (ninguém faz política sozinho) e preservar ferozmente a independência individual (ninguém pode abrir mão de sua personalidade e continuar a ser livre).
Quando não viam como segurar firmemente ambas as extremidades da corrente, Adorno e Horkheimer tendiam a abandonar a exigência da inserção no processo prático, porque a ação de quem está lutando junto aos outros é condicionada por movimentos coletivos que, para se concretizarem com alguma possibilidade de êxito, exigem concessões do indivíduo aos seus companheiros. Os dois filósofos temiam sujar-se eticamente; temiam reconhecer que ninguém faz política, ninguém consegue se inserir ativa e duradouramente no movimento coletivo real, sem alguma flexibilidade. Por isso, suas intervenções nas lutas políticas careciam de regularidade e eram esporádicas.
Herbert Marcuse, nesse ponto, contrastava com seu amigo Adorno. Embora concordasse com a imensa maioria das posições assumidas por Adorno no plano teórico, Marcuse tinha uma forte disposição a intervir nas ações práticas, nos movimentos políticos. A própria análise que Adorno fazia da gravíssima situação em que se encontrava a sociedade, nas condições do capitalismo tardio, era encarada por Marcuse como razão para engajar-se, com urgência, nos combates possíveis, nas lutas que estavam sendo travadas, sem esperar o aparecimento de um movimento que correspondesse plenamente às exigências filosóficas do pensador engajado.
(...) E em 1968 uma onda de protestos estudantis na Europa, nos Estados Unidos (e até no Brasil) criou uma situação na qual a divergência se explicitou.
Um grupo de estudantes rebeldes invadiu o prédio do Instituto de Pesquisa Social, na Universidade de Frankfurt/Main. Adorno, diretor da instituição, hostilizada pelos estudantes, chamou a polícia para removê-los. Marcuse, seu amigo há mais de 30 anos, mandou-lhe uma carta, divergindo da decisão. Adorno replicou cobrando do outro apoio ao seu esforço para preservar o velho Instituto em que haviam trabalhado juntos. Marcuse retrucou, dizendo que o Instituto não era mais o mesmo, pois vinha pecando por ‘abstinência política’ e não tomara posição contra ‘o imperialismo norte-americano’ na guerra do Vietnã. (...)
A polêmica epistolar está publicada no número 3 da Revista Praga, de São Paulo (1997). Adorno escreveu que a polícia tinha tratado os estudantes de um modo muito mais civilizado do que os estudantes o haviam tratado. Caracterizou o grupo como politicamente isolado e viu na atitude dos jovens algo de ‘fascista’, uma postura que poderia vir a destruir as instituições da democracia representativa.
Marcuse admitiu que havia comportamentos irresponsáveis e ações levianas no meio dos estudantes, porém negou que o movimento estudantil em geral corresse o risco de sofrer um processo de fascistização. Reafirmou seu ponto de vista segundo o qual o inconformismo dos estudantes era um elemento fundamental no questionamento do capitalismo e advertiu Teddy [Theodor Adorno] de que os danos acarretados às instituições da democracia representativa vinham muito mais das classes dominantes do que da rebeldia dos estudantes”.
(trecho extraído do livro A questão da ideologia de Leandro Konder, publicado pela Companhia das Letras, 2002. Páginas 88, 89, 92 e 93).
REFUTANDO OS ARGUMENTOS

Dos “filhos da classe média”
Ao reivindicar o direito burguês de ir e vir, de escolha individual e ao definir os métodos dos estudantes e funcionários como “ditaduras da minoria”, fascismo, totalitarismo, autoritarismo, julgando-os como ações dos “filhos classe média campineira”, muitos de nossos mestres mostram o profundo desconhecimento da situação pela qual passam esses atores.
Não há dúvida que o espaço da universidade hoje é terrivelmente limitado, em especial aos “filhos da classe média”. Os mecanismos de seleção, seja na graduação ou na pós-graduação, jamais conseguiram incluir a massa de estudantes que passam pelas escolas públicas de nível fundamental e médio, impondo um sentido exclusivista do acesso ao ensino superior público. Em nosso instituto esta exclusão se expressa também na inexistência de cursos noturnos de pós-graduação em nenhuma área e de graduação em áreas essenciais como história e filosofia... Por acaso as pessoas que estudam não podem também trabalhar?
Mas este reconhecimento dos limites objetivos de classe dos estudantes das universidades públicas não pode levar a um fatalismo determinista segundo o qual as manifestações políticas do movimento estudantil necessariamente estão restritas à concepção de mundo pequeno burguesa. As condições materiais de nossa classe social dentro e fora da universidade nos permitem cada vez menos posições passivas, inerciais, simples reprodutoras do sistema social. Poderíamos aqui ficar discorrendo sobre as dificuldades de se conseguir bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado ou bolsas PED e PAD através do IFCH hoje. Poderíamos falar sobre as dificuldades que hoje enfrentam os professores recém-formados nas ciências humanas para conseguir um emprego minimamente digno. Poderíamos falar sobre a falta de perspectivas de toda uma massa de universitários recém-formados por instituições públicas ditas de excelência. Poderíamos falar das restrições ao direito à assistência estudantil, apesar do número cada vez maior de alunos que precisam dela para terminar seus cursos superiores. Mas não precisamos nos estender ainda mais na exposição da precarização das condições de vida e estudo que os “filhos da classe média” encontram nas universidades públicas.
Daí que possuímos um trampolim objetivo, ainda que por enquanto não totalmente utilizado, à superação dos limites da consciência pequeno burguesa. Algumas importantes manifestações dos movimentos estudantil tentam crescentemente superar tais limites. Isso explicita-se seja em nossas infelizmente ainda muito restritas atividades de extensão (cursos livres, cursinhos populares), seja em nossas articulações políticas com o corpo de funcionários do IFCH, seja participando de ações em conjunto com diversos movimentos sociais e sindicatos (como no dia no dia 23/05).
Do autoritarismo
Não há dúvida que o espaço da universidade hoje é terrivelmente limitado, em especial aos “filhos da classe média”. Os mecanismos de seleção, seja na graduação ou na pós-graduação, jamais conseguiram incluir a massa de estudantes que passam pelas escolas públicas de nível fundamental e médio, impondo um sentido exclusivista do acesso ao ensino superior público. Em nosso instituto esta exclusão se expressa também na inexistência de cursos noturnos de pós-graduação em nenhuma área e de graduação em áreas essenciais como história e filosofia... Por acaso as pessoas que estudam não podem também trabalhar?
Mas este reconhecimento dos limites objetivos de classe dos estudantes das universidades públicas não pode levar a um fatalismo determinista segundo o qual as manifestações políticas do movimento estudantil necessariamente estão restritas à concepção de mundo pequeno burguesa. As condições materiais de nossa classe social dentro e fora da universidade nos permitem cada vez menos posições passivas, inerciais, simples reprodutoras do sistema social. Poderíamos aqui ficar discorrendo sobre as dificuldades de se conseguir bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado ou bolsas PED e PAD através do IFCH hoje. Poderíamos falar sobre as dificuldades que hoje enfrentam os professores recém-formados nas ciências humanas para conseguir um emprego minimamente digno. Poderíamos falar sobre a falta de perspectivas de toda uma massa de universitários recém-formados por instituições públicas ditas de excelência. Poderíamos falar das restrições ao direito à assistência estudantil, apesar do número cada vez maior de alunos que precisam dela para terminar seus cursos superiores. Mas não precisamos nos estender ainda mais na exposição da precarização das condições de vida e estudo que os “filhos da classe média” encontram nas universidades públicas.
Daí que possuímos um trampolim objetivo, ainda que por enquanto não totalmente utilizado, à superação dos limites da consciência pequeno burguesa. Algumas importantes manifestações dos movimentos estudantil tentam crescentemente superar tais limites. Isso explicita-se seja em nossas infelizmente ainda muito restritas atividades de extensão (cursos livres, cursinhos populares), seja em nossas articulações políticas com o corpo de funcionários do IFCH, seja participando de ações em conjunto com diversos movimentos sociais e sindicatos (como no dia no dia 23/05).
Do autoritarismo
Mas aquilo que queremos de fato confrontar aqui é com vaga de autoritarismo que é utilizada para deslegitimar nossas ações.
Primeiro: AUTORITÁRIOS são os decretos do governador. Alguém que pretende defender a democracia, a pluralidade, a racionalidade e o diálogo não pode aceitar em hipótese alguma, e com passividade, que uma política para o ensino superior seja baixada sem um debate público nem com o legislativo, muito menos com a comunidade acadêmica.
Segundo, AUTORITÁRIOS são aqueles que em reuniões a portas fechadas acreditam estar mudando os destinos da sociedade e da produção do conhecimento. Estes ignoram a separação profunda que se estabeleceu entre nossa universidade e a sociedade que a envolve. Ignoram que a maior parte de nossa produção intelectual não pode nem sequer ser lida, e muito menos compreendida, pela grande massa da população. Eles esquecem a todo o momento de se perguntar o que estão fazendo com todo este saber? O que eles estão mudando com ele?
Para nós, AUTORITÁRIA é esta separação entre universidade e sociedade, separação esta que estes decretos vêm a acentuar. Esses decretos pretendem regulamentar este modelo de universidade, para o qual o público prioritário é o grande capital, a iniciativa privada, a sociedade anônima. Ao explicitar que o objetivo desta universidade deve ser a pesquisa chamada pelos decretos de operacional, fica claro que o espaço da crítica e da transformação da sociedade através do conhecimento não estará garantido. E este modelo de universidade, consideramos AUTORITÁRIO.
Terceiro, AUTORITÁRIO é deslegitimar as ações políticas de outros atores e se negar a discutir em pé de igualdade, deixando sempre bem claro quem é que manda aqui!! Se para alguns professores a igualdade entre os docentes das Universidades já é o suficiente, estudantes e funcionários acreditam que NÃO. Se houvesse igualdade de fato neste instituto não haveria necessidade de barricadas. Mas TODOS nós sabemos aqui que se as barricadas forem retiradas alguns professores utilizaram de seu direito de ir e vir e começaram a fazer funcionar os núcleos de pesquisa, a dar aulas para a pós-graduação, a ativar as atividades administrativas do instituto. Assim, os funcionários que não têm seu direito de greve garantido (ou seja, a maior parte dos funcionários) como os terceirizados, contratados temporariamente ou contratados pela FUNCAMP, bem como alunos bolsistas que trabalham no instituto serão OBRIGADOS a voltar a trabalhar. Isso é igualdade? Isso é direito de ir e vir? Para quem?
Para nós, as pessoas que questionam a legitimidade de nossos métodos de luta sem vir discuti-los em nossos espaços de lutas, deslegitimam nossas causas, e são coniventes com o desmanche da universidade pública... E não venham falar que estão preocupados com a integridade física das cadeiras...
Primeiro: AUTORITÁRIOS são os decretos do governador. Alguém que pretende defender a democracia, a pluralidade, a racionalidade e o diálogo não pode aceitar em hipótese alguma, e com passividade, que uma política para o ensino superior seja baixada sem um debate público nem com o legislativo, muito menos com a comunidade acadêmica.
Segundo, AUTORITÁRIOS são aqueles que em reuniões a portas fechadas acreditam estar mudando os destinos da sociedade e da produção do conhecimento. Estes ignoram a separação profunda que se estabeleceu entre nossa universidade e a sociedade que a envolve. Ignoram que a maior parte de nossa produção intelectual não pode nem sequer ser lida, e muito menos compreendida, pela grande massa da população. Eles esquecem a todo o momento de se perguntar o que estão fazendo com todo este saber? O que eles estão mudando com ele?
Para nós, AUTORITÁRIA é esta separação entre universidade e sociedade, separação esta que estes decretos vêm a acentuar. Esses decretos pretendem regulamentar este modelo de universidade, para o qual o público prioritário é o grande capital, a iniciativa privada, a sociedade anônima. Ao explicitar que o objetivo desta universidade deve ser a pesquisa chamada pelos decretos de operacional, fica claro que o espaço da crítica e da transformação da sociedade através do conhecimento não estará garantido. E este modelo de universidade, consideramos AUTORITÁRIO.
Terceiro, AUTORITÁRIO é deslegitimar as ações políticas de outros atores e se negar a discutir em pé de igualdade, deixando sempre bem claro quem é que manda aqui!! Se para alguns professores a igualdade entre os docentes das Universidades já é o suficiente, estudantes e funcionários acreditam que NÃO. Se houvesse igualdade de fato neste instituto não haveria necessidade de barricadas. Mas TODOS nós sabemos aqui que se as barricadas forem retiradas alguns professores utilizaram de seu direito de ir e vir e começaram a fazer funcionar os núcleos de pesquisa, a dar aulas para a pós-graduação, a ativar as atividades administrativas do instituto. Assim, os funcionários que não têm seu direito de greve garantido (ou seja, a maior parte dos funcionários) como os terceirizados, contratados temporariamente ou contratados pela FUNCAMP, bem como alunos bolsistas que trabalham no instituto serão OBRIGADOS a voltar a trabalhar. Isso é igualdade? Isso é direito de ir e vir? Para quem?
Para nós, as pessoas que questionam a legitimidade de nossos métodos de luta sem vir discuti-los em nossos espaços de lutas, deslegitimam nossas causas, e são coniventes com o desmanche da universidade pública... E não venham falar que estão preocupados com a integridade física das cadeiras...
Para além das barricadas: as cadeiras não falam?

“As barricadas não convencem”, “não falam por si só”, “não passam de matéria prima morta entulhada frente às portas do nosso querido instituto”, “são constituídas por patrimônio público”, “resultado de reconhecido esforço institucional, em uma realidade em que se escasseia o sentido de público”, “isso não respeita meu direito de ir e vir”. Essas falas tornaram-se comuns em nosso instituto na semana passada. Até o momento as argumentações se mantiveram visivelmente frágeis; segue-se aqui um esforço de politização do debate.
Nesses últimos dias, essas barricadas estimularam
“Um alargamento súbito de um espaço público, no qual se encontram e dialogam intensamente homens que na véspera se ignoravam, seja porque de fato eram estranhos uns aos outros, seja porque sua convivência em um mesmo local de trabalho ou de vida os deixasse antes indiferentes”. (Lefort, Mai 68 – La Brèche, p. 203 apud MATOS, Olgária C. F. Paris 1968: As barricadas do desejo. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1989. p. 10).
Somente com estes atos, ditos de violência, é que foi possível colocar em diálogo atores que até o momento somente dividiam um mesmo espaço físico. Foi possível abrir uma discussão entre estudantes, professores e funcionários das universidades públicas paulistas sobre a situação pela qual passam essas universidades e sobre as relações de poder que aqui se cristalizaram e se naturalizaram. Somente a partir dessas barricadas essa discussão pôde sair de nossas cercas e muros e chegar à opinião pública.
Entendemos que as questões que trataremos a seguir são similares nas barricadas que fecham as portas do IFCH na UNICAMP, nas que fecham as portas da reitoria da USP (e que já fecharam a reitoria da UNICAMP há um mês) e que fecham os estudantes da UNESP na diretoria acadêmica de Marília neste momento. As barricadas do IFCH serão nosso ponto de partida, mas não nosso limite para pensar nossa universidade hoje.
Mas esta discussão sobre as barricadas e sobre os métodos de ação política utilizados pelos estudantes e funcionários nesta greve contra os decretos dizem mais do que simplesmente cadeiras fechando portas.
A partir dessas barricadas muitos foram os questionamentos acerca de sua legitimidade enquanto método de ação política. A nosso ver, essas críticas levam a uma despolitização das causas reais da mobilização de funcionários e estudantes. Isso significa que essas críticas colocam em segundo plano as motivações que levaram à paralisação de nossas universidades: a revogação dos Decretos do governador Serra.
Elas explicitam também o problema da hierarquia dentro de nosso Instituto, evidenciando o posicionamento de alguns professores contra a autonomia de organização política dos funcionários e estudantes. Isso fica claro quando alguns de nossos docentes dizem se recusar a entrar em uma greve “a reboque” de outras categorias. Fica a questão aqui: por acaso quando nossos docentes entram em greve, buscando reajustes salariais, eles perguntam às outras categorias da universidade o que pensam disso? Eles perguntam se os outros acham legítimas suas reivindicações? Eles nos consultam sobre se achamos legítima a paralisação das aulas como método de luta? Em algum momento os funcionários e estudantes se opõem ou questionam a autonomia da organização dos docentes enquanto categoria? Em algum momento os estudantes e funcionários se furtaram em se mobilizar em solidariedade à greve dos docentes, por reconhecer que sua luta representava a defesa da universidade pública?
Na prática, o que vimos nos últimos anos foi que os docentes entraram em greve, os funcionários e estudantes se mobilizaram e entraram em greve, mas o que houve de fato foi um esvaziamento das atividades de aula da graduação no IFCH e a continuidade das atividades de pesquisa e de pós-graduação.
Ou seja, essas barricadas explicitam uma negação às formas de mobilização em defesa da universidade pública que vimos ocorrer nestes últimos anos. Vimos que de fato muitos docentes aproveitaram a greve para colocar em dia suas pesquisas e tirar umas férias do fardo que lhes representa as atividades na graduação. Muitos, não todos, nem se dignaram a discutir em sala de aula com seus alunos os porquês das greves que ocorreram. Muitos simplesmente ficaram em casa descansando. E as barricadas expressam nossa refutação e indignação com essa forma de (des)mobilização. Durante anos vimos greves nas universidades paulistas que levaram a parcos aumentos salariais, mas que não convocaram nunca um debate real sobre as condições da universidade pública hoje.
Nossas barricadas representam também uma negação à forma de se construir conhecimento nas universidades. Elas negam o modelo de ciência e de conhecimento que muitos fazem nesse espaço, dito público. Elas questionam o sentido público desse conhecimento. Elas perguntam: para quê serve este conhecimento? Para quê serve esta universidade? A quais interesses esse conhecimento e esta universidade respondem ou são coniventes? Para quem é destinado tudo o que fazemos aqui? É para preencher pilhas e pilhas de relatórios da Capes e da FAPESP para ganhar um conceito vazio, homogêneo, unidimensional e padronizador da produção de conhecimento? É para debater entre nossa casta de intelectuais? Aliás, essas barricadas nos fazem pensar: que intelectuais queremos ser a partir desta universidade? Seremos intelectuais nos moldes de nossos “mestres”? Afinal, que tipo de intelectuais nossos “mestres” são?
Para nós, o silêncio dos intelectuais neste momento de crise significa de alguma forma sua conivência com o avanço da privatização do conhecimento e da universidade hoje. Suas formas de lidar com a mobilização dos estudantes e funcionários representam para nós uma reiteração das lógicas hierárquica e privatista que se estabeleceram na universidade.
Manual de civilidade e luta contra a política educacional do governo Serra
O posicionamento favorável, mesmo quando não verbalizado explicitamente, à política educacional implementada desde 1º. de janeiro deste ano pelo governo José Serra, tem levado certos membros da comunidade acadêmica a atacarem, direta e indiretamente, os métodos de luta adotados pelo movimento organizado contra esta política. Entendemos que tais membros da comunidade acadêmica parecem estar empenhados em esvaziar o debate acerca do conteúdo dos decretos aprovados por esse governo que infringem o princípio constitucional da autonomia universitária, ou melhor, estão interessados na despolitização deste debate.
Colocando-se como a porta-voz da democracia nas universidades públicas paulistas, a professora da USP Maria Hermínia Tavares de Almeida, em entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo neste sábado (19 de maio), nos oferece um claro exemplo dessa tentativa de despolitizar o debate, quando apela para um discurso moralizador que visa civilizar os protestos e assim deslegitimar os métodos de lutas adotados pelo movimento contra a política educacional do governo Serra. Nesta curta entrevista, a professora titular do departamento de Ciência Política da USP apresenta-nos um esboço de manual de civilidade que deveria ser seguido à risca pelos participantes dos protestos contra a administração tucana para que o convívio democrático, “tolerante”, “civilizado” e “racional” não deixasse de existir nas universidades públicas paulistas. De acordo com esta professora, somente a conduta civilizada e racional dos membros da comunidade acadêmica ofereceria as condições necessárias para o desenvolvimento de um debate plural no interior da universidade e desta com o atual governo estadual. Barricadas, “invasões” (sic) de reitorias entre outros métodos utilizados pela massa irracional são considerados assim como ações indesejáveis por supostamente colocarem em risco as “regras de convivência” da universidade. Resta saber a quais regras a professora faz referência. As da imaginação dela? Aqui o silêncio se impõe...
Poderíamos nos perguntar: o governo Serra está interessado no debate plural? Se sim, por qual motivo este governo implementou os principais pontos de sua política educacional no período de férias das universidades públicas paulistas, quando tendencialmente as associações docentes, os sindicatos dos trabalhadores e os centros acadêmicos dos estudantes dessas universidades encontram-se desarticulados? Seria um mero acaso? Acreditamos que não, mas isso não é problema para a defensora do debate plural, civilizado e racional. O que a incomoda e deve perturbar muitos de seus pares são aqueles que ocupam reitorias e fazem barricadas em defesa da autonomia universitária, da liberdade de ensino e pesquisa, da contratação de docentes e técnico-administrativos, da ampliação e liberação do repasse de recursos financeiros para as universidades públicas, da existência de fundações de amparo à pesquisa não submetidas à lógica daquilo que é vendável no mercado de patentes ou outros tantos.
Enfim, aqueles que criminalizam a luta dos movimentos organizados contrários à política educacional do governo Serra parecem não estar dispostos, ao contrário do que muitas vezes afirmam, a lutar contra a precarização da educação, a defender a democratização do acesso ao ensino e a negar o modelo de pesquisa submetido aos interesses do grande capital. Os moralistas que se colocam como porta-vozes da “verdadeira” democracia deveriam se perguntar quem está fundamentalmente atacando o mínimo de democracia burguesa que temos. Como não acredito em duendes ou em coisas similares não posso esperar que a revogação dos decretos do governador Serra se dê nos moldes das “regras de convivência” universitária vigentes, ou como num banquete em que todos sentam à mesa de modo “educado” e se alimentam de acordo com a ordem dos pratos estabelecida pelo anfitrião da festa.
Danilo Enrico Martuscelli
Colocando-se como a porta-voz da democracia nas universidades públicas paulistas, a professora da USP Maria Hermínia Tavares de Almeida, em entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo neste sábado (19 de maio), nos oferece um claro exemplo dessa tentativa de despolitizar o debate, quando apela para um discurso moralizador que visa civilizar os protestos e assim deslegitimar os métodos de lutas adotados pelo movimento contra a política educacional do governo Serra. Nesta curta entrevista, a professora titular do departamento de Ciência Política da USP apresenta-nos um esboço de manual de civilidade que deveria ser seguido à risca pelos participantes dos protestos contra a administração tucana para que o convívio democrático, “tolerante”, “civilizado” e “racional” não deixasse de existir nas universidades públicas paulistas. De acordo com esta professora, somente a conduta civilizada e racional dos membros da comunidade acadêmica ofereceria as condições necessárias para o desenvolvimento de um debate plural no interior da universidade e desta com o atual governo estadual. Barricadas, “invasões” (sic) de reitorias entre outros métodos utilizados pela massa irracional são considerados assim como ações indesejáveis por supostamente colocarem em risco as “regras de convivência” da universidade. Resta saber a quais regras a professora faz referência. As da imaginação dela? Aqui o silêncio se impõe...
Poderíamos nos perguntar: o governo Serra está interessado no debate plural? Se sim, por qual motivo este governo implementou os principais pontos de sua política educacional no período de férias das universidades públicas paulistas, quando tendencialmente as associações docentes, os sindicatos dos trabalhadores e os centros acadêmicos dos estudantes dessas universidades encontram-se desarticulados? Seria um mero acaso? Acreditamos que não, mas isso não é problema para a defensora do debate plural, civilizado e racional. O que a incomoda e deve perturbar muitos de seus pares são aqueles que ocupam reitorias e fazem barricadas em defesa da autonomia universitária, da liberdade de ensino e pesquisa, da contratação de docentes e técnico-administrativos, da ampliação e liberação do repasse de recursos financeiros para as universidades públicas, da existência de fundações de amparo à pesquisa não submetidas à lógica daquilo que é vendável no mercado de patentes ou outros tantos.
Enfim, aqueles que criminalizam a luta dos movimentos organizados contrários à política educacional do governo Serra parecem não estar dispostos, ao contrário do que muitas vezes afirmam, a lutar contra a precarização da educação, a defender a democratização do acesso ao ensino e a negar o modelo de pesquisa submetido aos interesses do grande capital. Os moralistas que se colocam como porta-vozes da “verdadeira” democracia deveriam se perguntar quem está fundamentalmente atacando o mínimo de democracia burguesa que temos. Como não acredito em duendes ou em coisas similares não posso esperar que a revogação dos decretos do governador Serra se dê nos moldes das “regras de convivência” universitária vigentes, ou como num banquete em que todos sentam à mesa de modo “educado” e se alimentam de acordo com a ordem dos pratos estabelecida pelo anfitrião da festa.
Danilo Enrico Martuscelli
Doutorando em Ciência Política 2006 - IFCH
Maria Hermínia Tavares de Almeida: CONTRA A INVASÃO
Não é uma forma civilizada de protestar, diz cientista política
Para Maria Hermínia Tavares de Almeida, invasão da reitoria é inaceitável
DA REPORTAGEM LOCAL
A professora titular de ciência política da USP, Maria Hermínia Tavares de Almeida, 64, afirma que a ocupação da reitoria pelos alunos é um atentado à civilidade. Ela também criticou a política educacional de José Serra e a possível entrada da PM no campus para retirar os manifestantes. A assessoria do governador foi procurada no início da noite, mas informou que Serra estava no interior. A assessoria do secretário José Aristodemo Pinotti não foi localizada por telefone. Leia a seguir trechos da entrevista.
FOLHA - Qual é a opinião da sra. sobre a ocupação da reitoria? MARIA HERMÍNIA TAVARES DE ALMEIDA - O movimento dos alunos é inadmissível como conduta. Independentemente do que eles estão pedindo. Repudio a forma como o movimento se deu: pela invasão, pela destruição, depredação do gabinete da reitora, porque consideramos que essa não é uma forma civilizada de discutir opiniões e de reivindicar. Isso quebra a regra de convivência da universidade. Sem discutir os motivos, a forma de condução do movimento é inaceitável. Ela quebra uma civilidade que precisa existir no interior da faculdade. É uma conduta inadmissível, inaceitável, porque rompe uma regra fundamental do jogo dentro da universidade, que é o debate, é o pluralismo, é a tolerância e a racionalidade.
FOLHA - E sobre a política do governo do Estado? MARIA HERMÍNIA - Eu não consigo entender qual é a política do governo do Estado. Na verdade, o governo tem batido cabeça desde o começo. Eu não sei sequer se existe uma intenção clara de cercear a autonomia da universidade ou se existe uma incompetência em lidar com a universidade. FOLHA - O que a sra. acha da possibilidade de a polícia ser acionada para fazer a reintegração de posse? MARIA HERMÍNIA - Acho que a pior solução possível é que a polícia entre [no campus]. A última vez que a polícia entrou, eu era estudante ainda. Eu tenho péssima lembrança e acho que isso deveria ser evitado.
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